Sobre polos e cargas

Não sinto muito e lamento não sentir. Mas o que há de se fazer quando apesar do sangue quente, recebemos uma carga negativa capaz de contrair todos os músculos que limita o acesso do sangue ao coração? Pouco a pouco deixamos de sentir. Um belo dia, recebemos outro estímulo que resulta a constatação de que não há nada de errado: teu peito pulsa,  ainda sente aquele mesmo frio na barriga e a tua razão fora dilacerada. Talvez você deva se permitir. Você se permite. E inesperadamente recebe outra carga negativa. E outra, que te faz  decidir que jamais se permitirá novamente a estas mazelas. Mas ai vem outra. E mais outra. Até você perder as contas. Mas apesar de tantas cargas negativas, insisto em querer acreditar em algo, incerta do que, apenas afirmo que preciso. Tudo caminha contra, e tudo aquilo em que você ousa se apoiar, tende a desmoronar. 

Por estas razões digo hoje que não sinto muito e  lamento não sentir. Pois hoje, o pouco que sinto não tem nome. É uma dor no peito, uma falta de ar e ânsia de vômito. Um desespero contido ao tentar eliminar da memória o que te aflige. Transformar pessoas em simples rastros, livres do estigma da dor que trazem consigo. Ou me transformar num ser mais simples, sem o estigma da dor que trago comigo.

Viver entre as máximas temperaturas; ora fria, outrora fervendo. Calor queima, gelo também. Não tem lado bom. Quando distante e rude, dentro de mim, mil vozes.Ninguém pode imaginar. Quando próxima e doce ou louca, mil vozes que não posso calar. Não há como mudar enquanto aguardo intensas cargas negativas prontas para mudar a rota daquilo que corre na veias.

Forço a mente em busca da descoberta mágica mais eficaz no processo de eliminar dor. Dor é memória, dela não aprendi a me livrar, mas posso limitar seu acesso. Ouvi dizer numa análise sobre o perigo: cria tantos limites de acesso a memória  que em breve erra o caminho e limita teu coração. Sou boa em racionalizar e não temo comprometer o coração. Pois no momento o mais importante é evita a dor. A associação da repetição do erro e da dor. Afinal, é sempre assim. Uma carga negativa atrás da outra.

2 Response to Sobre polos e cargas

Anônimo
31 maio, 2013

"Cria tantos limites de acesso a memória que em breve erra o caminho e limita teu coração". As vezes ja limitamos e nem nos damos conta. Achamos que somos amorosos mas nao passamos de rochas.

Anônimo
31 maio, 2013

E pra fazer o caminho inverso,haja acerto!

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