Me assumo e me aprumo

Meu peito oscila. Chamam de arritmia. Ora quase para, outrora acelera. E é assim com o amor também: acordei amando e quando fui dormir, era só desamor. Ou vice versa. Foi Nietzsche quem ditou, em "Humano, demasiado humano": Pessoas que rapidamente pegam fogo se esfriam depressa, sendo então de pouca confiança. Por isso as que são sempre frias, ou assim se comportam, têm a seu favor o preconceito de que são particularmente seguras e dignas de confiança: são confundidas com aquelas que pegam fogo e lentamente o conservam por muito tempo.” Nunca menti, sou incerta, minha chama falha, vou do quente ao morno, por vezes esfrio. E quando esfrio não tem combustível que me faça queimar de novo. Mas se pôr lenha eu faço fogo. Que seja fruto de alguma insegurança, algum trauma ou falha no caráter, mas quando eu sinto, dilacera o ventre, as tripas e coração. A certeza que eu dou, é de que eu tento. Tento e sinto. Me esforço e me entrego até que se eliminem todas as fontes da chama. Não é cruel ser inconstante. Não enquanto se busca a constância, não se acomoda e se apruma. Não tenho culpa pelos meus nervos a flor da pele, nem vergonha de assumir que eu sinto demais. E sinto muito, mas deixo de sentir a qualquer instante, principalmente quando não se sabe ao certo a forma correta de manter a chama. Em resumo, sou feliz. Dos que partilharam da breve chama, suponho que também tenham sido. Aos amigos que abandono pelo caminho, relato a mesma razão: quando esfrio, não há solução. Pra confiar na intensidade é preciso cautela e doação. Não me vem com migalhas que eu as sopro ao vento junto com minhas palavras que supostamente tenham vindo do coração.

1 Response to Me assumo e me aprumo

Carolina
23 setembro, 2012

Cruel mas ao mesmo tempo lindo [= Um balde de água fria com uma dose de esperança!

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