Sobre como ainda me afeta.

Pode me chamar de transparência. Todo mundo olha na minha cara e sabe o que eu quero, sabe quando eu amo, quando eu quero foder e se não estiver na cara, eu vou falar. Eu não vou ser assim pra sempre porque afinal, a vida é cruel e por mais que a gente saiba jogar, a gente não quer, mas sabe que uma hora vai ter que usar máscaras pra se safar do moinho. Mas e você? O que você sabe de mim? Quase nada, eu suspeito. E isso é desumano, porque olhando bem, no peito, por hora, de grande valia, eu guardo é você. Sempre guardei. Onde eu quero chegar: talvez eu nunca tenha sido transparente contigo. Talvez eu nunca serei. Não completamente. A gente sabe do nosso afeto. E de alguma forma, tamanha prepotência há de confortar com a certeza de que quando precisar, estará ali. "Eu te amo" é grave. Nem eu mesma que sou louca, pensei um dia te amar. Mas loucura? Houve seu tempo. Eu sempre fui completamente louca por você. Mas vai dizer, tava na cara? Eu sei disfarçar quando quero salvar meu couro. E eu quase nunca quero me salvar, mas com você eu me salvei. Eu nunca vou conseguir falar e suponho que nunca irá ler, mas eu ainda não te amo, também não sou mais louca por você. Mas eu tenho essa coisa aqui no peito que te quer bem, que te quer por perto mais vezes, que quer ter certeza de que se hoje você está aqui, amanhã ou depois você estará de volta. De certa forma eu sei que estará, mas também sei que as vezes, você faltará. " Venha aqui hoje, não quero ficar sozinha" mas me perdoe, meu orgulho, meu receio, meu medo e minha sina, vão me calar. Talvez eu deveria ser transparente contigo, mas o que eu te dou, é o máximo que eu me permito doar em meio ao risco que eu corro ao seu lado. Escrevo em vão, mas desabafo e alivio a alma: você tem cheiro de vida de ponta a cabeça, cheiro de casa quentinha, gosto que sacia e toque que acalma. Eu quase te amo, mas passaria um inverno inteiro no teu colo. No verão eu te amaria.

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