É só um desabafo

Outro desvio de rota. Inaceitável. Inaceitável assim: não pude assumir a mim mesma. Sabe o quanto isso é grave? Pois é. Mas e daí que eu sou humana? E daí que eu sinto mais, sinto errado e aplico mal? Ah, antes que eu me esqueça, não apliquei mal. Vamos dizer que dessa vez, trata-se de escolhas. Cada um fez a sua, a dele, a certa, a minha, por conseguinte, equivocada; exagerada e devastadora. Mas tá feito, e por incalculáveis razões, fora a melhor. Futuro, sabe? Ali não havia. Mas havia todo um presente. Provavelmente eu não me recordo da última vez que tive um presente tão completo. As coisas pra mim, jamais serão superficiais. Raras exceções. Casos antigos, relações mal acabadas: hoje, superficiais.   Ali eu não era superficial, ali não dava, cara. Eu não sei ficar sozinha, eu sou apegada, carente mesmo. E mimada. Eu sou um porre. Mando e desmando, humilho e peço desculpas. Mas é tudo brincadeira. Meu coração é bom. Mas tem que me conhecer muito bem pra entender o que rola aqui. Ele não vai saber o que rola aqui agora, porque ele não precisa, porque isso é meu e eu não preciso dividir. É triste? Um pouco, mas não vai mudar a vida de ninguém, então que fique entre quatro paredes e "entrelinhas". Entre vidas. Pensei que fosse fácil, afinal não era nada muito importante, né? Não era mesmo. Nem é. mas quem explica?  É como  se alguma parte do meu corpo coçasse e por alguma razão meus braços não alcançassem. Sinto como se ele fosse o melhor em tudo, inclusive na difícil tarefa de me fazer sorrir. Mas era completamente impossível não sorrir ouvindo aquela voz, ou olhando para aquele rosto. Eu sei que passa. Eu não tenho mais 15 anos pra achar que foi a última pessoa interessante que passou pela minha vida. Mas foi a mais simples e mais leve até hoje. A única que não levou nada de mim, nem deixou, além de coisas boas. Esse é o problema. Não me causou dano algum, agora fica a dificuldade em desvincular a lembrança, ou forjar,  pensando "nem era tão bom assim". Lá fora eu tô legal, ele me ve sorrir, me vê com outros 100 caras e pensa o quanto eu sou livre. Mas aqui dentro eu tô assim: dormindo pra tentar esquecer. E quando eu acordo a primeira imagem que vem é ele. E a tristeza que eu sinto ao ver todos caminhos tortuosos que a vida nos leva a tomar. Não era pra soar sentimental ou dramático, mas eu exalo isso pelos poros. Difícil parecer equilibrada ou cheia de razão. É como eu falei: "não tenho razão nenhuma". Me apego a uma lagartixa na parede do quarto. Ele disse "caralho, me fodi" enquanto me olhava na cama. Eu pensei o quanto ele mal sabia das coisas que se passavam ali. Mas fiquei muda.  E ri. Último ato: vamos devagar? Eu disse que prefiria parar. E agora eu tô aqui: penso nele toda vez que respiro. Mas vai passar. Não vai?

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