Carta para o além

Deixa eu te contar: acabei de ter uma experiência incrível. É claro que você ainda não teve a sua. Mas quando você tiver, você vai entender o que eu tô falando. Daí seria a hora certa, onde você talvez devesse receber essa carta. Mas quando isso acontecer eu não estarei por perto, por isso guardo para o além essa carta. Poucas coisas fazem sentido pra você hoje. Mas o mais importante você sabe: se expressar. Por hora você não compreenderia: afinal, o que você tem a ver com tudo isso? Nada. E tudo. Eu era assim, igual você. Mas a vida me danificou aos montes e vai danificar você também. Uma hora você se apega a alguém que não se apega a você. E aí fodeu. Eu dizia que eu era como você, certo? Eu era mesmo. Então eu observava seus atos e ficava encantada me perguntando porque eu havia perdido toda a leveza e me tornado tão densa. Eu via sua calma e pensava no quanto eu queria voltar a ser assim. Nunca mais vou ser. Mas posso ser melhor. Densa porém suave. Não dá pra ser como eu era a de anos atrás porque a vida, hoje, me exige firmeza. E é pra isso que você veio, pra me mostrar, sem nem saber ao certo o que mostrava: o caminho pra sair desse ciclo de falhas. Você foi acerto. Não é porque tem fim que foi erro. É erro quando desgasta e te deixa marca e dor. Sequelas e traumas. Mas através de você, eu resgatei o melhor de mim. Não agradeço a você, que mal sabe ao que veio a vida. Agradeço ao além, ou a mim que, que fui capaz de extrair o melhor de alguém. O que não te faz menos incrível. Foi incrível. A gente se vê por aí. 
 

Copyright © 2009 Oh, Maria... All rights reserved.