Minha linha do amor na palma da mão é curta

Prometi sensatez. Talvez calma, paciência, serenidade e compreensão; prometi a mim mesma, além de um bocado de pé no chão e nenhuma idealização. Feito, pouco espero, quase nada. As vezes me desespero quando vejo a proximidade que nos toma. Não sinto muito, exceto apreço e enorme admiração, o que já me basta como situação de risco. 

Penso que esta seja a pior das conexões, aquela que perdemos a hora certa de cancelar. Agora imagino que eu não possa me desfazer dela  e, se por escolha externa, for  preciso que esta deixe de existir, apenas se manteria sob ondas, silenciosa, até que o destino trate de reconectá-las.

Lamento um pouco, quase nada, por ter me exposto da forma que me exponho entre um e um milhão. Lamento, não por mim, mas por quem se depara com enorme bagunça, intensidade e confusão. Ainda que aquele se depara, seja uma bagunça maior. Sob meu ponto de vista, não lamento ter me exposto. Nunca lamento, pois minhas escolhas são impecáveis quanto o acesso que permito às minhas variadas formas de sentir, à compreensão e descoberta de que não há amargura ou azedume algum por de trás desta estrutura rígida e tirana.

Minha sinceridade e minha amabilidade, jamais me levaram a lugar algum, nem por isso temo em ser sincera com meus sentimentos -quando existem. Sincera comigo. O que não significa, sempre me expor. No momento, guardo o ínfimo sob escritos e um pouco além, na minha imaginação, pois contra meus argumentos, certa vez conheci alguém como eu e tive enorme ojeriza por tamanha profundidade. 

Já não cabe a mim, soluções mirabolantes para evitar qualquer forma de dor, válvulas de escape, fugas e inacessibilidade. Estou certa de que percorro um caminho turvo e de que a dor é certa.  No entanto devo assumir a única coisa da qual tenho certeza: ele tem o melhor cheiro que já senti. Mas preciso esquece-lo, antes que ele esqueça o meu. O que é uma pena, pois ele valia a pena.

Então me pergunto tal qual interlocutora: porque deixaste fisgar o peito? Amava-o?  Por tão pouco se deixou doer?

Temo adimitir, sequer amei qualquer outro homem. Talvez uma mulher. Mas por ele, nem ao menos me apaixonei. Não foi eu ego, foi meu faro. Pois eu sabia que se viesse a amar, seria ele.

Moldado  perfeitamente  entre gestos e falas, eu fingia não observar.

Enquanto ressonava, incapaz de ouvir meu choro baixinho, eu sussurava: acho que eu poderia me apaixonar.

Ele não ouviu, sequer viu as lágrimas.

Muda a cena. Sem choro ou susurro, mal posso observa-lo. Mas tem meu tom e inevitavelmente, é tudo que me faltava. Por isso o mantenho: não amo ninguém a não ser a mim mesma, mas ele se assemelha tanto, que por muito pouco meus olhos não pousam, brilhantes, sob a imagem que ele reflete em mim.

Acho que eu poderia ter me apaixonado. Por isso mantenho em segredo.

Sobre polos e cargas

Não sinto muito e lamento não sentir. Mas o que há de se fazer quando apesar do sangue quente, recebemos uma carga negativa capaz de contrair todos os músculos que limita o acesso do sangue ao coração? Pouco a pouco deixamos de sentir. Um belo dia, recebemos outro estímulo que resulta a constatação de que não há nada de errado: teu peito pulsa,  ainda sente aquele mesmo frio na barriga e a tua razão fora dilacerada. Talvez você deva se permitir. Você se permite. E inesperadamente recebe outra carga negativa. E outra, que te faz  decidir que jamais se permitirá novamente a estas mazelas. Mas ai vem outra. E mais outra. Até você perder as contas. Mas apesar de tantas cargas negativas, insisto em querer acreditar em algo, incerta do que, apenas afirmo que preciso. Tudo caminha contra, e tudo aquilo em que você ousa se apoiar, tende a desmoronar. 

Por estas razões digo hoje que não sinto muito e  lamento não sentir. Pois hoje, o pouco que sinto não tem nome. É uma dor no peito, uma falta de ar e ânsia de vômito. Um desespero contido ao tentar eliminar da memória o que te aflige. Transformar pessoas em simples rastros, livres do estigma da dor que trazem consigo. Ou me transformar num ser mais simples, sem o estigma da dor que trago comigo.

Viver entre as máximas temperaturas; ora fria, outrora fervendo. Calor queima, gelo também. Não tem lado bom. Quando distante e rude, dentro de mim, mil vozes.Ninguém pode imaginar. Quando próxima e doce ou louca, mil vozes que não posso calar. Não há como mudar enquanto aguardo intensas cargas negativas prontas para mudar a rota daquilo que corre na veias.

Forço a mente em busca da descoberta mágica mais eficaz no processo de eliminar dor. Dor é memória, dela não aprendi a me livrar, mas posso limitar seu acesso. Ouvi dizer numa análise sobre o perigo: cria tantos limites de acesso a memória  que em breve erra o caminho e limita teu coração. Sou boa em racionalizar e não temo comprometer o coração. Pois no momento o mais importante é evita a dor. A associação da repetição do erro e da dor. Afinal, é sempre assim. Uma carga negativa atrás da outra.

Das coisas que não dizemos


Olfato

Tenho certa deficiência no olfato. Dizem que o cigarro causa isso. Olfato, paladar... A gente perde a sensibilidade. Não reconheço perfumes nem me ligo em aromas, mas o cheiro dele eu ainda não esqueci. Cheiro que não é perfume, cheiro dele. Imagino que sinto e reproduzo-o mentamente de tal forma que chego a senti-lo. Estranho decorar um cheiro. Loucura. Isso é a falta que faz.
Mágoa e fala entupida adoecem o corpo. Câncer, taquicardia, enxaqueca..Tudo isso. Nem por isso aprendi a me expressar, mas as vezes eu consigo.

Eu poderia começar do primeiro momento em que a sinceridade me feriu, partindo para todos outros momentos da minha vida em que travei minha fala, ainda assim sofri, mas me sentia forte, capaz de dominar a intensidade com que algo me afetava. Ou adiar. Fria por fora, quente por dentro. Tenho febre no peito e funciono feito bomba. Sem alarde e sem programa. Posso me esconder por três dias ou três anos, passando por um romance de nove meses, em que no décimo primeiro mês, no auge de seu fim, me permiti o delicado da vida: "gosto de você". Foi um pouco tarde. É sempre um pouco tarde ou muito cedo. Então me pergunto se existirá um timing. Nunca sei quando irei esquentar, mas é sempre de dentro pra fora. Gosto do meu ritmo, nunca me confundo e minhas decisões jamais são duvidosas. Mas se existe algo que dói nisso tudo, é o tal de quem cativas e não se responsabiliza. O tal de aquecer nossas mãos frias e jorrar um balde de gelo sob nossa cabeça. O tal afago seguido de um tapa. Se não sabe ao que veio, nem bata na porta. Não procure meios de aquecer a água se não planejas tomar o chá.
Nenhuma sessão de descarrego, nenhuma oração, passe ou benzedeira poderá livrar o mal que cultivas: tenho taquicardia, as vezes falta de ar. Os olhos se enxem de lágrimas, mas não chego a chorar. Não controlo os pensamentos, por isso, quando partem a um universo fora de meu alcance, é como se meus orgãos vitais sofressem de uma coceira incessante, a qual não fosse capaz de controlar. Tenho câncer na alma e isso é difícil de curar. Tenho uma mente pensante e um corpo cansado, que não me permite concluir meus planos. Por isso ouço esse som na madrugada. É meu coração bate tão forte que posso escutar, parece que a qualquer momento pode saltar do peito ou se cansar de bater e simplesmente parar. Para minha felicidade, hoje descobri a cura e diferente do que pensei a vida inteira, ela não está em ninguém além de mim. Não está em nenhum abraço ou qualquer gesto afetuoso. Preciso me consertar antes que seja tarde, limpar essa bagunça e deixar de esperar que alguém se predisponha a limpa-la.
Nenhum mau hábito me trará azar. Não que eu me permita um regresso aos meus vícios (exceto a maldade de escrever), mas após muito tempo bem; muito tempo inabalável, algo me abalou. A vida nova não me trouxe sorte e eis a prova de que não aprendi nada sobre levar a vida de forma suave. Não aprendi a ser suave. Leve ou equilibrada. Não consegui, em momento algum de minha vida, deixar minha intensidade de lado. Prossigo com a sensação de que meu coração, pesa nada mais, nada menos, que algumas toneladas. Sei que me chamo ora Maria, outrora Pillar, mas na maior parte do tem sou a Senhora Nostradamus. Sou imprescindível na vida da maioria das pessoas e eu deveria me orgulhar, caso meu posto não fosse cruelmente o de segundo plano, por isso vivo buscando alguém que precise de um primeiro plano. Tenho síndrome do abandono. Síndrome de cachorro de rua, por isso não sei receber carinho. E infelizmente, deixar de escrever, não vai mudar minha natureza, ou me trazer sorte.
Me curvei. Já conhecia aquela posição: tinha algo entravado no peito querendo sair pelas mãos. Prometi me poupar da maldade de escrever (Ana Cristina Cesar, a maior poetisa do obscuro, já referenciava-se o ato de escrever à pura maldade), mas concluindo que meu posto jamais será o que sempre almejei, e sim, este, de quem sente além do que  se imagina suportar, preciso juntar meus cacos, diariamente -e que nao são poucos-  transparecer o equilíbrio que conquistei árduamente um pouco tarde, sorrir e torcer para que, apesar de todos meus pecados, Deus tenha ligeira piedade. Meu fardo é leve, mas sou fraca. Rezo todos os dias, em contradição aos que imaginam que vivo em uma gruta adorando o diabo. Agradeço pela saúde -ainda que frágil, peço perdão pelas falhas de caráter. E  acima de tudo, peço paz. Pois o que vivi em 1/4 de século, não se vive em meio século. Por isso, não quero pensar. Quero um sofá macio, cheiro de bolo, cuidar das plantas e amar. Quero o prático da vida, pois ainda que eu me indisponha aos caminhos nebulosos e as inconstâncias, tenho o karma do drama. Mas tenho calma. Com um pouco de sorte, um dia acerto o caminho.

Meus últimos três meses ou: "meu primeiro rabisco sincero"

Há três meses muita coisa mudou. Dentre todas, a mais surpreendente: parei de escrever. Quem brinca disso sabe que traz azar. O que ficou pra trás pode ser lido e relido, julgado ou pré-julgado por quem se limita à impressões ou acredita que o preto no branco pode ser um retrato. Não relacionando o fim dessa etapa com julgamentos, mas apenas enfatizando: eu vou além das linhas. Isso nunca foi um  diário ou um blog autobiográfico. Realidade ficcional, reflexão e alguns traços e lembranças do que já senti. Se chegou até aqui em busca de conhecer mais sobre mim, feche a janela, nem perca tempo. Mais fácil entender olhando nos olhos

Holocausto no meu peito



De todos paradigmas, o fardo que mais me pesa é o de mulher forte, mulher de fibra, independente; mal aguento minhas dores, imagine as de vocês. Mulher insensível, talvez. Sinto muito, mas só a meu ver, sinto tanto quanto vocês, mas oprimo para evitar o desgaste. Fino trato ou tino nunca fui de ter. E se cativo, foi sem querer. Nunca amei plenamente, mas cá entre nós, hoje, nunca quis tanto amar alguém. O que me parecia impossível e improvável hoje cogito como forma de evolução. Se de tudo fiz e provei, bem tive a vida que sempre quis e idealizei, hoje sinto falta do que me privei instintivamente. Uma coisa é o que você diz, outra o que você passa, e a cada dia passava menos: me chamou de vazia, ou vadia,  pouca importa. Vazia eu estava prestes a me tornar. “Você não passa coisa alguma”. Não passava  pois não buscava passar, e sim tomar. “És tão fria!”. Era fria pois a vida exigia. Cada processo em seu tempo. Deixo de ser muralha ou Maria pra ser a mulher que eu temia. É como se alguém dissesse: ”Ei, a guerra acabou, agora você pode sair!”
As vezes, me sinto meio criança insensata. Sinto que falho- e como falho- sinto que desconheço meus próprios sentimentos. Que não sou capaz de  suspirar e aguardar o momento certo das minhas realizações. Mal sei o que há de ser amor, ou o que  não passa de um capricho. Se julgo como capricho, penso "e se eu estiver apenas maquiando a verdade em busca de me proteger?" Quero uma cartilha dos meus quereres. Uma bula. Um manual, pra que assim, possa viver sem amarraduras. Não há pergaminho que me liberte do desconhecido: mais do que já escrevi e vivi? A cada passo e a cada linha me compreendo menos. Mal e porcamente me comunico, a cada dia mais rocha, mais gelo. Com o corpo me comunico, para o corpo, melhor ainda. Sei lá como se diz de peito aberto, como quero bem alguém, mas ritmado em dó menor sei falar quando quero foder. A gente sonha com alguém como a gente. Então a gente encontra esse alguém e dá com os burros n'água, porque nos deparamos com nossos defeitos mais repudiantes. Meu individualismo. Meu egoísmo. Meu desprendimento e minha volatilidade. Tá tudo lá. E eu não sei lidar, tal qual mulher madura me descrevo, mas sim tal qual criança que tem de suas mãos algo tomado. Por vezes até penso feito mulher que sou: é preciso paciência. Mas isso não se trata de amor? E quem disse que amo? Não ainda, não dessa vez. Anda olho com desdém e pouco caso. Calculo e penso firme: volte logo para que eu possa me livrar de você. É recorrente. Tenho programado me livrar  faz logo uns oito meses. "Agora vai". Mas sinto uma preguiça um "nada de mais interessante pra fazer", acabo me enrolando. Em minha defesa, digo que não amo, mas posso vir a amar.
Faltou pouco do discernimento pra uma lágrima cair. Enquanto olhava a chuva, poupava o pranto e rezava pra que o tempo passasse, contava as horas pra que a noite caísse e pudesse dormir: assim  passaria mais rápido o tempo. E repetia: não que eu o ame, mas sou muito apegada e intensa. Quase uma semana. Faltam quantos dias? Parece uma eternidade. Pois junto à eternidade, me fixo a pensamentos neuróticos onde a distância possa minar nossos laços. Volto a repetir minha retórica acerca de minha indisposição às relações monogâmicas. Volto a enfatizar sua falta de tino para com as rédeas. Mas o medo que assombra me faz cogitar que talvez não seja tão ruim assim ser só dele. "No próximo feriado viajaremos juntos".  A última coisa que eu quero é sentir isso novamente. Mas não me precipto, pois sou tão volátil.... amanhã ou depois, quando eu lhar nos teus olhos, pensarei: nem sei se eu queria. Do outro lado, ele, que me vê tão frágil transbordando sentimentalismo, pensa: ando meio enjoado. Portanto, sou frágil em linhas, meu martírio é mudo. Não vou gastar fala, não vou fatigar - nem a mim nem ao outro- finjo que pouco me importo. "Que fique mais uma semana ou um mês" Ora é o que mais desejo, outrora tenho uma enorme preguiça. Ele, idem. Não poderia haver um enlace pior. Não sofro, mas meu ego inflama e minhas energias se esgotam, pois de jogo mesmo, sempre entendi, mas nunca tive as manhãs de vencer. E questiono: o quanto vale lutar por algo que você sabe que em pouco tempo deverá se desfazer?

Sonho de ter uma vida sã



Eu tenho é piedade: faz-se de amor da cabeça aos pés, fala de amor, não como interlocutora, mas como perita; como quem sente. Afirma  com veemência sentidos e descarta motivos, provas e evidências de que suas teorias e sua falsa entrega são sinais de demência, alienação ou falsidade. Pré-programada ou não, desejo acreditar que mentes tanto que passa a acreditar em si mesma. Tu é, da cabeça aos pés, sujeira purinha (ou apenas lhe falta olhos de ver com alma?). Eu tenho é piedade, pois não se  conhece como se intitula, não se  analisa como se promove, sequer ama como descreve. Mas calcula como mestre. Se poda e se articula como atriz. Quando sentes, realmente acredita que sentes? Ou mente a si, ao ponto de sequer notar o quanto falsa são as premissas? Tua alma e teu peito enfermo, fatidicamente distantes da redenção do “eu”.  O eu que se desdobra e se torna nós; que se encobre de nós e, arredio, pós-fracasso da dissimulação que nem a si mesmo convenceu, se olha no espelho e assume o quanto és podre por dentro.

Após minha inércia

ROTATIVIDADE; INCONSTÂNCIA. Assim poderia me descrever na maior parte do tempo. Quase nada é definitivo e concreto a partir do momento que sai de minha boca. Em contrapartida, em mérito a quem ousa apostar fichas na égua que carrega alcunha de cilada, afirmo que a mesma, quando atinge uma vitória, sabe valoriza-la. Melhor dizendo, no dia que for pra sentir e ser sentida, eu vou sentir é meus ventres e minhas tripas reviradas. Me dói mais a confusão de não saber o que meu peito abriga do que um amor não correspondido, portanto li em algum lugar, que se te encontra confuso e incerto, a inércia trará a razão. Em oposição, diz- se que se a sombra da dúvida bate tua porta, é porque simplesmente não é: será que sinto algo? "Se sentisse saberia". Quase me conformei. Anda bem que discordei. Sorte que me repousei, me mantive na inércia e deixei que as respostas surgissem após a tempestade. Não questiono minha veracidade nem minha certeza, mas luto pra que se torne constante a gratidão, a paixão, a admiração. Torço pra que se torne a cada dia algo maior ao ponto de cegar meu individualismo, meu egoísmo e meu medo. Hoje, posso dizer que tenho aprendido a ser mais humana. Amanhã espero poder dizer que amo, sem receio ou idealizações. Se o amor for aquilo que cresce lentamente, talvez eu esteja no caminho certo.
Sinto que seus braços querem mais que me envolver; me sufocar. Admito não ter tino nem trato pra que deixe que me amem. Me queira um pouco menos, talvez assim eu possa respirar. Você me apavora, choro de fadiga e me recolho assustada.Tenho medo de que involuntariamente, eu escape de suas mãos, ou que você me perca no excesso de palavras e sinceridades. Hoje eu vacilo; desculpa. E tudo você poderá me perdoar. Não vivo sob regras e jamais sob olhares e cautela de alguém que  me ame, por esta razão, cedo ou tarde saio do trilho. Vira-lata sonha com casa, carinho, um dono e calmaria. Mas está sempre atrás da sua liberdade, não é? Eu quero ter uma vida pacata e segura, eu quero alguém assim, que me ame mais do que eu possa ama-lo. Mas me falta o ar. Me torna incapaz e quase nula. Eu preciso de todo tempo do mundo.

Um texto morno


Doutor, por favor, como faz pra tirar isso de mim? Quando respiro –lentamente ou ofegante, algo não me desce. Não sei se é na fala ou no peito, mas dói feito doença no corpo, embora eu saiba que é na alma. E se eu chorar? Será que alivia? Tentei, mas nem uma gota. Antes pudesse chorar, me livrava desse sintoma. Eu to tentando tirar isso de mim faz, sei lá. Nem muito tempo, nem pouco. Sabe, quando você tem algo de valor e perde? Não to falando de amor. To falando de posse.  Dor de amor a gente cura fácil que só. Dor de amor chega a ser bela. Eu vou repetir em voz alta “EU PERDI”, umas cem vezes e dentro de mim uma voz oculta dirá “EU NÃO ACEITO”. Distorção dos fatos, quando disse, olhando nos olhos “EU PERDI”, fui interrompida: “você está equivocada demais, quando se desfaz de algo alegando que em sua vida, não há espaço para tal, não se perde. Quando nos desfazemos de algo, é porque não queremos, logo não perdemos”. Doía menos um tapa na cara. Agora eu quero saber, quando é que vai passar? Minha vida não anda, as idéias não fluem, meu humor é rude e minha fala é fria enquanto isso me atormenta. Nem me fale em pedir desculpa. De repente até resolve e me alivia o sentimento de culpa, mas acho que devo desculpas a mim mesma. Mas por segurança resolvi me desculpar com quem vacilei. Uma facada doía menos: “acho que você nunca percebeu, mas você me tratava igual lixo: pega aquilo, faz isso, ai como você é burro, faz de novo, ta errado, sai daqui”. Perdão. Só pensei “perdão”, claro que não falei.  Devia falar? Deixa pra lá. Acho que passei um tempo guardando pra mim toda admiração que sentia. Eu sou toda errada mesmo, não justificando meus erros, apenas me justificando. Dei por mim, que pra seguir em frente, talvez eu só precise me desculpar e parar de me culpar. Respirei fundo e já nem dói tanto. Quase rezei pra isso passar. Foi muito tormento. É muito tormento. Muita culpa, muita lembrança. Intensidade e o coração ainda bate forte. Ainda sinto um vazio em todas coisas que pertenciam a essa história e hoje se isolaram. Já era pra ter passado, né? Até parei de contar o tempo que é pra não me aborrecer. Na prescrição médica: racionalize. Mas eu sou emoção da cabeça aos pés. Se eu pedi espaço, deveria ceder o mesmo. Meu fraco é o egoísmo.  Difícil é carregar o fardo de ex mulher incrível. Olhar pra todo canto e ouvir aquela voz dizendo sobre nossas sombras no asfalto como de irmãos siamêses. Eu até me perdoo. Mas não consigo tirar isso daqui. É um engasgo de quem não sabe lidar com perda. Os melhores momentos da minha vida estão ali. E não vão voltar em matéria, apenas na memória. E é isso que me mata um pouco mais a cada dia. Dei espaço, paz e vida a quem devia. A quem nasceu pra vida e não pra minha.

Minha fala sem freio e anseio

Dei por findo qualquer papo desses sobre libertinagem sacanagem qualquer ideia torta sobre espíritos libertários pra mim é cilada é voragem não existe mancebo nesse mundo com a cabeça feita a ponto. Se tem amor no peito não tem sentimento na sola. Tá tudo no peito e tua cara não mente: aí não tem malandragem esperteza improviso nem nuance de malícia corre solto nessa veia que estala SEM SACANAGEM assume a fraqueza, que sem eira nem beira e covarde não se alcança a vitória em nenhum embate. Sem prioridade valor ou ambição -não tô falando de grana falo de virar gente. Burro não! Ignorante mal informado e sem noção. Na esquina tu cai e segue andando de quatro. Eu fico só olhando. Minha mão eu não dou pra você levantar é muito orgulho eu não te insulto mas não te assumo não te largo mas não te amo. É um impasse: eu com classe e você arredio. Mas não minto: contigo meu pavio é longo minha pressa é nula e o sangue é quente feito aguardente não tem vírgula nem parágrafo só ponto corrido "ei me mostra essas coisas que tu escreve ai" vou te enrolando ate aprender falar de amor contigo. 

O dom é sentir

A ele, escreveria até poesia ( coisa pouca que me fatiga os ânimos e a prosa). Escreveria em estribilho. Não sou trovador, mas destes amores, tornamos-nos até mesmo hábeis na maldade de grafar o presente e zombar do destino, dando pouco crédito ou subestimando-o. Tenho olhos de lince: vejo mais que qualquer um que me desafiar. Sempre nos vi distante, por isso disserto em linhas toda e qualquer pontada cruel no peito que me causa, pra que não se percam no tempo. Não temos lembranças, não temos muitas histórias, mas se é pra falar de amor, eu vou falar de você. Se é pra agradecer. À você e meus pais. O que eu sou pra você? Me preocupa tanto afeto e talvez você sinta apenas dó. Compaixão. Não especulo aquilo que menos me atinge. O que me importa, hoje, é "o que você é pra mim depois destes anos todos?" E você nem imagina.

Ode ao ódio.

Já falei que te odeio hoje? O quanto odeio seu toque? Suas palavras? O quanto seu cinismo me enoja? Que fique dito. Sua falsa admiração por mim e teu falso respeito são mesquinhos. Tua falsa paixão, teu falso apreço e teu falso afeto. Que engasgue com teu próprio veneno e teu julgamento. Continue morno enquanto queimo. Continue mediano enquanto evoluo. Conviva com o conformismo de algo que nunca terá: sou tão facinha, ne? Sou amor facinho, mas de mim você não há de ter um afago. Você é meu troféu. A prova de que eu sou difícil sim, apenas com gente mesquinha como você.

Todo dia é um recomeço

Quando penso em ti, me sobem lágrimas aos olhos. É inevitável. Ainda que eu pareça inconstante, existe algo que permanece dentro de uma realidade que jamais retornará. Pareço mulher "pouquinha". Amo fácil. Desapego. Essa é a intenção. Eu tentei ser mulher incrível apenas uma vez e dei com os burros n'água. Não te culpo. Ainda te acho incrível, mas bem longe de mim  -que inclusive é a única posição a  que você sempre se predispôs relativo à mim-, mas isso não me impede de sentir, dentre incertezas e más lembranças, um punhado de carinho. Outro dia ouvi uma conversa: "você realmente quer encontrar sua alma gêmea? Boa sorte. Você não sabe o que isso significa. Observe seus defeitos. Sua alma gêmea terá os mesmo. E digo mais: é feito karma. Não volta na próxima vida. Volta em todas." Não me leve a mal, mas é assim que me sinto perante a você. Uma coisa é certa, se essa coisa de almas gêmeas existem, você é a minha. Obviamente nunca ficaremos definitivamente juntos -e nem quero-, mas tá marcado, o vínculo é sutil e ultrapassa a compreensão do senso prático que eleva as relações interpessoais como base principal para a intimidade. Nós sempre seremos nós. Ainda que você insista em  desmerecer o amor prevalecer a "amizade". Porque te escrevo? Pra que não me esqueça. E pra que não se esqueça que apesar de louca e sem juízo, as vezes estranha, quando falo de ti, é o que mais se aproxima do profundo e real e constante. Pra ser real, eu nem diria que te amo, pois amo facinho demais. Não existe em nosso léxico, palavras que possam definir. É amor. Mas é um pouco mais. E um pouco menos. Mas se fosse pra falar o quanto te amo, diria que te amo como se amasse a mim mesma.

"Lembrando que ora me amo
Outrora me odeio
No ventre tenho mais que um rei
Enquanto o mundo se decide
Se gira em torno do meu umbigo ou do seu
O tempo corre
E eu te pergunto
"Afinal, pra você o que sou eu?"

Interlúdio ante à perversão


Tardo mas não falho
Falo do verbo concreto
Incrédulo partidário da oligarquia
Sujeito à prova de fogo que testa a própria alma
Reverso à taxonomia que diverge o próprio umbigo:
Nasceu com reina na barriga?
Agora aborta
O mundo te deixou a revelia
Gira distante e obstante do teu ego
Fatídica epopéia
Cheio de drama
Disserto em trama na próxima estrofe
Que proclama livramento
De qualquer teoria livre da idéia do discernimento:

“Chegaste e não era bela
Atendia pela alcunha de vadia
Mas dentro dela tinha mesmo eram mil corpos
Destes que dentro de cada ofensor
Não valia nem um terço de cada corpo
Que nela habitavam
Repletos de regalia:
Um queria ser sábio enquanto o outro só queria foder
Chegado conflito onde ela dizia a hora certa de ser sábia
A hora certa de foder
Nenhum corpo interferia na razão
Pois sozinha, apesar de pouco bela e vadia
Era sábia
E ela sabia
Que de cada corpo
Absorvia mais que porra
Sangue, suor & saliva”
E apesar de feito homem
Não pensava com o caralho
Pensava logo com o coração.”


Dito e feito
Sem que tomasse tempo
Provaste o ponto de vista
Com muito travessão e pouca exclamação
Afinal não era efusiva
Quase morta enquanto temia se defender
Agora era ela ou era eu
Olhei bem nos olhos e vi o quanto bela
E apesar de vadia
Agora era ela
De longe parecia dama
Seus olhos de louca eu disfarçava com um abraço
Pois apesar de vadia
Era dócil e me queria. 


[O mundo parou
Pois já não girava sob ela ou sob eu
Pari o rei e adotei humildade
Distante de qualquer complexidade abundante
Conheci a realidade dos corpos e d’alma
Era mais do que eu sonhava]


Quem diria?

Me assumo e me aprumo

Meu peito oscila. Chamam de arritmia. Ora quase para, outrora acelera. E é assim com o amor também: acordei amando e quando fui dormir, era só desamor. Ou vice versa. Foi Nietzsche quem ditou, em "Humano, demasiado humano": Pessoas que rapidamente pegam fogo se esfriam depressa, sendo então de pouca confiança. Por isso as que são sempre frias, ou assim se comportam, têm a seu favor o preconceito de que são particularmente seguras e dignas de confiança: são confundidas com aquelas que pegam fogo e lentamente o conservam por muito tempo.” Nunca menti, sou incerta, minha chama falha, vou do quente ao morno, por vezes esfrio. E quando esfrio não tem combustível que me faça queimar de novo. Mas se pôr lenha eu faço fogo. Que seja fruto de alguma insegurança, algum trauma ou falha no caráter, mas quando eu sinto, dilacera o ventre, as tripas e coração. A certeza que eu dou, é de que eu tento. Tento e sinto. Me esforço e me entrego até que se eliminem todas as fontes da chama. Não é cruel ser inconstante. Não enquanto se busca a constância, não se acomoda e se apruma. Não tenho culpa pelos meus nervos a flor da pele, nem vergonha de assumir que eu sinto demais. E sinto muito, mas deixo de sentir a qualquer instante, principalmente quando não se sabe ao certo a forma correta de manter a chama. Em resumo, sou feliz. Dos que partilharam da breve chama, suponho que também tenham sido. Aos amigos que abandono pelo caminho, relato a mesma razão: quando esfrio, não há solução. Pra confiar na intensidade é preciso cautela e doação. Não me vem com migalhas que eu as sopro ao vento junto com minhas palavras que supostamente tenham vindo do coração.

Eu te amo, eu não minto. Ou não me chamo..como eu me chamo?


Tem hora que eu acho que você é acerto. Pensei que eu talvez precise de alguém assim como você; alguém que eu não me importe. E eu me importo tão pouco contigo, garoto. Olha só, nem penso em você, mas resolvi pensar agora, pra ver se você cresce em mim. Contigo eu já perdi quase todos créditos. Eu não te amo. Mais pra frente. Mas eu tenho apego. “Me manda qualquer coisa dessas que você escreve?”. Não mando dessas nem d’outras porque nenhuma é pra ti. Exceto essa. Mas essa você não merece, assim como, as vezes, eu não te mereço. Mas nem por isso te perco, nem ao menos engano. Não sei lidar muito bem com a felicidade. Sou adepta do engano, da falha e do erro. Você tem cara e cheiro de acerto, por isso me afasta. Você é segurança e certeza, enquanto eu não sei de nada. “Qual o tamanho do seu amor por mim?” Ele não existe, mas se te consola, eu te acho uma gracinha. Isso já é um bom começo.

Do contrasenso da razão


Eu perdi minha paz naquele corpo. Desde a primeira vez que o vi, vi partir minha paz,e  mais; minha lucidez. Nem fiz questão de retomar a razão. Pensei: “deixe que eu me perca”. E nem confiança aos sinais da perdição. É feito cocaína: eu posso parar quando eu quiser, mas sempre vou voltar. Às vezes eu posso voltar com muita intensidade e me perder, por isso vivo dosando o quando devo me doar. Eu olho e penso cautelosamente qual lugar da minha vida ele deveria ocupar. Temo em dizer, que talvez nenhum, e ao mesmo tempo, todo. E tudo: minha casa, meus lençóis, meu dinheiro, minha família, minha saúde e a minha sanidade. Não quero nada dele, mas de mim ele pode levar o que quiser e por mim, que ele leve tudo. Então quando retoma a razão e dou de frente com a realidade, olho naqueles olhos, enquanto deitado sob a cama, que jamais reconheço se fechados a dormir ou abertos, vejo que existe uma vala que nos divide. Talvez o tempo a minimize, talvez venha a aumentá-la. Dane-se. O que devemos fazer? O que se há de fazer? Ele emudece e eu fraquejo; ele ri e eu temo. Enquanto na vida ele mal se planeja eu já voltei com os planos prontos. Me alertaram: ele é porra louca. E eu afinal, sou o que? “A mulher mais incrível que eu já conheci”, ele disse.

Pra te dizer que nada mudou: tudo continua no mesmo lugar, ninguém se apossou. Teu lado da cama ainda é teu. Tua manta guardada, aquela vista lá de cima, o pano sujo no varal e as nossas músicas. A gente nunca se machucou. Lembra daquele “a gente volta mais pra frente?”. Chegou. Não acredito em amor na prática, nem você em mim. A nossa falta de crença é que nos leva na mesma direção; a tua inocência e a nossa imaturidade. Eu me orgulho de você e você de mim. Sem que ninguém precise entender, somo mais do que podem ver. Eu não falo de amor entre nós dois, mas sempre vou falar de parceria.

A chama é linda aos olhos de quem a admira de longe. Todos querem se aquecer, mas acabam se queimando.

Caótica: dentro de mim se movem  mil corpos. Por isso tenho febre; beira aos 40 graus. É meu peito que arde, é o sangue quente, a veia latente. Você se queimou? Perdoe, mas eu não posso mudar. Experimente respirar fundo, então tome um banho gelado e me procure. Mas não me cobre simplicidade. Apenas use ao seu favor, para lapidar sua frieza e tornar-te um pouco mais cativante. Não me entenda mal, você até me parecia incrível. Mas completamente morno. De morno à frio. Então você me pergunta: "se tão frio sou, porque disserta em linhas sobre mim?" Não escolho ao certo sobre que disserto, não prometo veracidade, quiçá sinceridade. Mas nas entrelinhas... Ah, as entrelinhas. Eu não sou palavras, meus sentimentos não são narrativas. Mas teu silêncio é teu vazio. Ai, e como enoja tua distância das coisas quentes. Eu tenho um pouco de pena. Ora de mim, outrora de você. Pensei que soubesse quem sou. Pensei que soubesse ao que veio. Aqui não se samba miúdo, não se fala baixinho, não se faz carinho. Aqui não tem suspiro. Eu só respiro. Ofegante. 

Em tom de desabafo

Fala-se muito sobre minha sinceridade, sobre minha transparência. Amigos que desejam um mundo de mulheres aparentemente tão práticas. Críticas e conselhos que tendem a autovalorização. Hoje eu não sou metade do que eu sinto, aprendi a me calar, aprendi omitir, engolir sapos e desejos. É uma merda seguir protocolos. Uma merda me conter, fingir que me importo com convenções sociais. Não fazer exatamente aquilo que minha alma  ou meu corpo implora. Não ter o que almejo no exato instante. "A raça humana é racional e você vem me dizer que prefere agir como um ser irracional?". Sim, mas não lutarei contra a natureza da opressão. Lá fora posso estar muito contida e sorrir enquanto aprecio aqueles olhos, ou aquele outro corpo. Numa conversa posso transparecer ligeira frieza, ligeira falta de interesse ofuscados pela minha fala contida: "Cara, hoje, as oito, aqui em casa. Tô afim de foder com você." 

She want it


Você venceu: veio parar aqui. Mas nada de se ouriçar; é pouca coisa: seus olhos. Eles parecem com os meus. E eu sou egocêntrica assim, costumo apreciar no outro aquilo que eu vejo em mim. Fora isso você tem essa muralha da china que aparentemente cabe somente a mim. Não sei. Sempre inacessível de alguma forma oculta que eu ainda não sei exprimir. Eu tenho um pé atrás contigo e com gente que é livre demais, talvez por querer ser igual, mas to sempre presa em alguma esquina, em algum sentimento ou mesmo ao alento esperando algo acontecer. Ainda assim eu digo, que noto um vão, uma falha. Assim como, de todas coisas que almejo, não me dou por satisfeita na espera e brutalmente consigo-as em menos de 24 horas, por exceção, tive você, onde eu dizia: “Mais pra frente”. Nunca fiz questão. Aliás, acho que foi rápido demais. Dois, três anos? Não sei. Mas tem esse vão agora. Eu tenho ali uma rede, onde eu vou deitar e ficar esperando ver se alguma coisa acontece. “Mais pra frente”. E não é preguiça. E só medo.

Belial

Olha, eu te amo. Estranho começar uma carta assim? Foi a primeira coisa que me veio em mente, a segunda é que eu sempre vou te amar. Mesmo que não mereça, mesmo que eu devesse ter nojo, ou ódio, ainda consigo alimentar uma parcela de carinho infinita, que te deseja todo bem do mundo. Mas que também deseja que essa distância entre nós não se minimize. Não preciso trocar nem meia dúzia de palavras com você. Não preciso estar perto, nem desejo. Eu te amo assim, eu cá, você aí. Nenhuma palavra. Jamais. Pra que o rancor não tome frente diante das lembranças que a proximidade haveria de trazer. Assim, distante, olha como eu te amo e te quero bem. De longe você me parece um anjo.
"Eu não preciso de mais nada". Saiu daquela boca de palavras tão sinceras, enquanto olhava ao seu redor. Hoje eu me pergunto, onde foi parar toda aquela satisfação? Ontem, eu era a pessoa mais incrível (depois da sua mãe). Hoje eu nem se quem sou. Mais triste é tentarmos resgatar. Me deixe estática observando o quanto eramos incríveis, mas mantenha o desejo de se nivelar e crescer, enquanto mantenho o desejo de me manter uma mulher incrível, não para ambos, mas para a vida.

16 de julho.


Eu venho cansada. E pra quem me acompanha lado a lado, sabe que o meu karma é tristeza. Não vou culpar falta de atenção de nenhum amigo, afinal, cada um deu o que pode- daqueles que julgo reais. Ao restante, desejo apenas uma vida infeliz. Não como minha tristeza, que admito ser fútil, fruto de uma alma preguiçosa que se fatiga com o simples transcorrer lento de uma tarde fria. De certo, o que houve? Absolutamente nada específico além do cansaço. As pessoas e suas enormes falhas de caráter é algo aceitável, com o qual me habituei, mas tenho opções. Hoje deve ser o dia mais frio do ano, lá fora e aqui dentro. Tenho uma bagunça  pra arrumar, enquanto isso, desejo a todos um bom dia e peço que levem a vida de forma mais despretensiosa e transparente e, principalmente: amem mais.

Transcender e renovar

Perdeu muito tempo chupando os paus errados. Não que houvesse encontrado o certo. Mas se perdeu e tudo que aprendeu mediante as coisas que envolvem amor, aprendeu um pouco tarde. Sabe onde foi aprender a viver? Na inocência e na simplicidade. Nas palavras duras e sinceras. Na negação que, diante dos olhos de quem tudo pode, por um instante percebe-se impotente, surge a maturidade que lhe inclina à triste realidade: o mundo do outro, não girava ao seu redor. Causou estranheza a primeira instância. Causou fixação e de repente, poderia passar o resto da vida chupando aquele mesmo pau, fodendo com aquela mesma pessoa e seria sempre incrível. A vida é um pouquinho mais que essa sensação. Parece loucura, pensou. Mas aprendeu o que lhe faltava para ser uma mulher incrível em alguém tão pouco provável. Talvez as chances de crescimento estejam exatamente onde menos esperamos. Tem que saber extrair. Ouvir. Ninguém se cruza em vão. O sexo não é só corpo. Tem alma nisso, cara. Você consegue ver? Aquela alma...ela queria engolir pra absorver toda essência admirável. Estudou cada milímetro daquele corpo, absorveu cada fluido que exalava pelos poros, leu cada linha de sua expressão, sentiu a última alma que ousaria sugar pra se tornar a mulher mais incrível que já ouviriam falar e partiu. Ela não sabia, mas levou dele muito mais do que deveria. Uma nova vida talvez. Vai causar muita dor por aí, mas alguém ainda vai sorrir.

Sobre como ainda me afeta.

Pode me chamar de transparência. Todo mundo olha na minha cara e sabe o que eu quero, sabe quando eu amo, quando eu quero foder e se não estiver na cara, eu vou falar. Eu não vou ser assim pra sempre porque afinal, a vida é cruel e por mais que a gente saiba jogar, a gente não quer, mas sabe que uma hora vai ter que usar máscaras pra se safar do moinho. Mas e você? O que você sabe de mim? Quase nada, eu suspeito. E isso é desumano, porque olhando bem, no peito, por hora, de grande valia, eu guardo é você. Sempre guardei. Onde eu quero chegar: talvez eu nunca tenha sido transparente contigo. Talvez eu nunca serei. Não completamente. A gente sabe do nosso afeto. E de alguma forma, tamanha prepotência há de confortar com a certeza de que quando precisar, estará ali. "Eu te amo" é grave. Nem eu mesma que sou louca, pensei um dia te amar. Mas loucura? Houve seu tempo. Eu sempre fui completamente louca por você. Mas vai dizer, tava na cara? Eu sei disfarçar quando quero salvar meu couro. E eu quase nunca quero me salvar, mas com você eu me salvei. Eu nunca vou conseguir falar e suponho que nunca irá ler, mas eu ainda não te amo, também não sou mais louca por você. Mas eu tenho essa coisa aqui no peito que te quer bem, que te quer por perto mais vezes, que quer ter certeza de que se hoje você está aqui, amanhã ou depois você estará de volta. De certa forma eu sei que estará, mas também sei que as vezes, você faltará. " Venha aqui hoje, não quero ficar sozinha" mas me perdoe, meu orgulho, meu receio, meu medo e minha sina, vão me calar. Talvez eu deveria ser transparente contigo, mas o que eu te dou, é o máximo que eu me permito doar em meio ao risco que eu corro ao seu lado. Escrevo em vão, mas desabafo e alivio a alma: você tem cheiro de vida de ponta a cabeça, cheiro de casa quentinha, gosto que sacia e toque que acalma. Eu quase te amo, mas passaria um inverno inteiro no teu colo. No verão eu te amaria.

Março de 2010

Eu não quero saber dos seus grandes amores. Mas você é um dos meus. A minha frieza, perdoe; é medida preventiva. E você há de aceitar que seja plausível. Quando não há nada, então existe eu. Mas não pretendo questionar a veracidade do seu carinho. Pois também sou instável. Mas é como disse, sobre grandes amores...você é um dos meus. O único que restou, o que nunca me prejudicou e por isso está aí. Me sinto feliz por te-lo em minha vida, seja lá o que isso queira dizer. Mas preciso dizer que talvez, um dia, this works. Afinal se fala muito sobre a importância dos sentimentos que não ferem e sobre os sentimentos saudáveis. Você é o meu.

Se fosse pra ser super heroína eu seria Ororo



Alma que se equipara a folha que segue o vento. Que segue o outono, o inverno, mas assenta no seu verão. Alma que se iguala ao fogo que queima, mas que esquenta o corpo quando gela. Exímia lutadora, muitos confundem a essência do ser livre com o ser impuro. Se tocar em qualquer membro, dos pés a cabeça, vai ver que é tudo carne e osso, que corre sangue quente, às vezes sangue frio. Se olhar nos olhos, você vê pureza. A pureza da palavra que quando fala sobre amor olhando nos olhos, se expõe da maneira mais íntima e sincera. Mas olhe nos olhos, pois costuma mentir pra testar o ser humano. Até aonde devemos ir? Até onde houver vida. Gastar cada energia em busca da satisfação. Trabalhe muito, foda muito e se encontrar alguém da mesma essência que não te julgue, que te olhe nos olhos e fale de amor, respira e espera o verão assentar todas folhas. Aquilo que julgas ser a vala, claramente trata-se, muitas apenas de sede de vida, pra que possa se evoluir. Julgue apenas o hipócrita, pois o ser livre é lindo.

Eu tô aí pro meu coração

O  tempo corre. Que milagre da santa morte, ontem  ele queria ser eu, hoje eu quero ser ele. Como-te-admiro-quando-eu-crescer-quero-ser-igual-a-você. Dois viajantes; um  com pernas ao ar, outro, com pernas no chão. E as cabeças nos ares. Mas não o bastante para não pensar no amanhã. O tempo corre e o que seremos? Eu talvez adote um filho, ou morra. Enquanto nenhuma das coisas acontecem eu vou fazendo merda, sorrindo e amando. E vocês?



Mudo a prosa: a evolução literária ou interna que resulta na repulsa da descrição.


S-U-B-J-E-T-I-V-I-D-A-D-E: Assim se fez. Pois viver na claridade pode resultar na cegueira da alma. Escrevo, porém não descrevo. O que entra no peito, no peito há de ficar. Que vomite borboletas no enredo, apenas a quem interessar possa; ou que o brilho dos olhos que outrora era cegueira, torne-se em dois tempos três estrofes de versos objetivos e rimas pobres, mas que digam claramente aquilo que se intenciona. Degola a alma inocente; aleija-te dos dedos da claritude, pois elas não te fazem bem. O sentido pode nos guiar ao além. Então, porque sentido? Porque sentir? A reposta é viver de olhos vendado.

É só um desabafo

Outro desvio de rota. Inaceitável. Inaceitável assim: não pude assumir a mim mesma. Sabe o quanto isso é grave? Pois é. Mas e daí que eu sou humana? E daí que eu sinto mais, sinto errado e aplico mal? Ah, antes que eu me esqueça, não apliquei mal. Vamos dizer que dessa vez, trata-se de escolhas. Cada um fez a sua, a dele, a certa, a minha, por conseguinte, equivocada; exagerada e devastadora. Mas tá feito, e por incalculáveis razões, fora a melhor. Futuro, sabe? Ali não havia. Mas havia todo um presente. Provavelmente eu não me recordo da última vez que tive um presente tão completo. As coisas pra mim, jamais serão superficiais. Raras exceções. Casos antigos, relações mal acabadas: hoje, superficiais.   Ali eu não era superficial, ali não dava, cara. Eu não sei ficar sozinha, eu sou apegada, carente mesmo. E mimada. Eu sou um porre. Mando e desmando, humilho e peço desculpas. Mas é tudo brincadeira. Meu coração é bom. Mas tem que me conhecer muito bem pra entender o que rola aqui. Ele não vai saber o que rola aqui agora, porque ele não precisa, porque isso é meu e eu não preciso dividir. É triste? Um pouco, mas não vai mudar a vida de ninguém, então que fique entre quatro paredes e "entrelinhas". Entre vidas. Pensei que fosse fácil, afinal não era nada muito importante, né? Não era mesmo. Nem é. mas quem explica?  É como  se alguma parte do meu corpo coçasse e por alguma razão meus braços não alcançassem. Sinto como se ele fosse o melhor em tudo, inclusive na difícil tarefa de me fazer sorrir. Mas era completamente impossível não sorrir ouvindo aquela voz, ou olhando para aquele rosto. Eu sei que passa. Eu não tenho mais 15 anos pra achar que foi a última pessoa interessante que passou pela minha vida. Mas foi a mais simples e mais leve até hoje. A única que não levou nada de mim, nem deixou, além de coisas boas. Esse é o problema. Não me causou dano algum, agora fica a dificuldade em desvincular a lembrança, ou forjar,  pensando "nem era tão bom assim". Lá fora eu tô legal, ele me ve sorrir, me vê com outros 100 caras e pensa o quanto eu sou livre. Mas aqui dentro eu tô assim: dormindo pra tentar esquecer. E quando eu acordo a primeira imagem que vem é ele. E a tristeza que eu sinto ao ver todos caminhos tortuosos que a vida nos leva a tomar. Não era pra soar sentimental ou dramático, mas eu exalo isso pelos poros. Difícil parecer equilibrada ou cheia de razão. É como eu falei: "não tenho razão nenhuma". Me apego a uma lagartixa na parede do quarto. Ele disse "caralho, me fodi" enquanto me olhava na cama. Eu pensei o quanto ele mal sabia das coisas que se passavam ali. Mas fiquei muda.  E ri. Último ato: vamos devagar? Eu disse que prefiria parar. E agora eu tô aqui: penso nele toda vez que respiro. Mas vai passar. Não vai?

Carta para o além

Deixa eu te contar: acabei de ter uma experiência incrível. É claro que você ainda não teve a sua. Mas quando você tiver, você vai entender o que eu tô falando. Daí seria a hora certa, onde você talvez devesse receber essa carta. Mas quando isso acontecer eu não estarei por perto, por isso guardo para o além essa carta. Poucas coisas fazem sentido pra você hoje. Mas o mais importante você sabe: se expressar. Por hora você não compreenderia: afinal, o que você tem a ver com tudo isso? Nada. E tudo. Eu era assim, igual você. Mas a vida me danificou aos montes e vai danificar você também. Uma hora você se apega a alguém que não se apega a você. E aí fodeu. Eu dizia que eu era como você, certo? Eu era mesmo. Então eu observava seus atos e ficava encantada me perguntando porque eu havia perdido toda a leveza e me tornado tão densa. Eu via sua calma e pensava no quanto eu queria voltar a ser assim. Nunca mais vou ser. Mas posso ser melhor. Densa porém suave. Não dá pra ser como eu era a de anos atrás porque a vida, hoje, me exige firmeza. E é pra isso que você veio, pra me mostrar, sem nem saber ao certo o que mostrava: o caminho pra sair desse ciclo de falhas. Você foi acerto. Não é porque tem fim que foi erro. É erro quando desgasta e te deixa marca e dor. Sequelas e traumas. Mas através de você, eu resgatei o melhor de mim. Não agradeço a você, que mal sabe ao que veio a vida. Agradeço ao além, ou a mim que, que fui capaz de extrair o melhor de alguém. O que não te faz menos incrível. Foi incrível. A gente se vê por aí. 

Para que não me falhe a memória II

Para que não me falhe a memória, penso nele todos os dias quando acordo. Penso com pesar. Ora com pena, outrora com asco. Sinto falta de algo que ao certo, não sei o nome. Tavez da imagem irreal e falsa que criei. Como um personagem. Cada passo em falso, cada vacilo que dou em minha vida, sei que são resquícios dos danos que causou. A parte mais difícil é voltar a confiar nas pessoas. Não esperar sempre o pior. É complicado quandoseu ponto de referencia se torna seu pesadelo. Sabe a fé na humanidade? A gente perde. As vezes alguem me surpreende com algo positivo, mas o espaço para a sensatez é curta. Eu tenho um longo caminho até me despreender da constante "espera da tragédia". Eu tenho tido sorte, tenho vivido a verdade nua e crua. Ela assusta mas me fortalece. Me fortaleço enquanto daqui sinto cheiro de julgamentos hipócritas. Isso dá câncer, cara.

Fui respirar. Olhar a vista daqui de cima. Tentar tirar da minha cabeça a imagem dele – que agora era fixa. Não tem drama algum, não tem fim, mas me entristece ver como o mundo é cruel, pois não tenho mais aquele sorriso, as coisas perderam o brilho e talvez eu tenha crescido tudo que pude diante dessa história. Foi incrível. Valeu. Mas acho que prefiro do meu jeito. Ainda que tenha um pedacinho dele em cada canto que olho: a gente via as estrelas daqui. Lá em baixo a gente fodia até ele dormir. E dormia engraçado. Profundo. E ressonava igual criança. Descobri que eu posso gostar de sexo convencional. Sem tapa. Sem dor. Com carinho. Descobri que eu sou incrível, mas preciso ser menos  densa.  Pois bem. Por hora acredito que possamos partir para o próximo capítulo de nossas vidas com algo na bagagem e na memória.
Primeira crise: preciso de espaço, preciso dar espaço, mas preciso dele aqui. Preciso de garantias, mas não tenho nada que eu possa garantir. Meu primeiro ato é clichê. Drama. O segundo é forjado. Run, baby girl, run. Mas eu não vou correr pra lugar algum. Posso ficar aqui, afinal descobri que eu sou uma mulher de sorte e que a gente tem muita troca positiva pra fazer. Muitas estrelas pra contar. Muitas noites pra pra dormir com as mãos entrelaçadas e considerar que esse momento poderia jamais acabar. Nós temos é muita sorte.

he comes

quase desviei da rota: falha de segurança, ele veio com tudo que eu precisava e mais um pouco. como todo e qualquer desejo que me brota, tratei de concretizar. veio facinho e já podia ter ido embora, pois lido com as relações como uma troca de energias positivas que geram impulsos vitais à minha evolução. a troca tem que ser recíproca, ou interrompo o ciclo. isso é se relacionar, nem tudo se trata de amor, por isso, hoje eu vim falar de parceria e antes que eu me esqueça, peço que enfiem seus conceitos baseados em fracassos no centro do cu. a vida não tem fórmulas, minha intensidade não é parâmetro pra sentimento e minhas palavras... elas pesam  e desviam os olhares do singelo direto ao trágico e ao drama. escrevo sobre todas pessoas que modificam minhas características pré moldadas, todas que me ferem e as poucas que a mim agregam valor e conhecimento. escuta com atenção: eu escolho quem vem pra ficar, por hora ele fica. fica enquanto me der vida, me tirar o peso do trágico drama, das experiências carregadas de dor, enquanto me admirar e sem imaginar, ser capaz de me ensinar o trivial. ele é um instrumento, não é importante demais, mas pode vir a ser, por isso redijo essas linhas, por isso o sorriso diário. eu não quero que ele saiba, mas     foi ele quem me consertou, ele e toda sua simplicidade, espontaneidade, aqueles olhos cheios de verdades e as palavras que me fazer ter certeza do que sou e do que posso ser. isso é parceria, por isso ele fica. 

“I know, I can´t afford to stop, for a moment…that it´s too soon, to forget.”


Ele é prático; não sonha. E eu estranho: vivo tentando imitar sua leveza, enquanto ele imita meus passos firmes. Ele me acha lutadora e eu me acho tão insegura. Ele se acha ignorante, mas com ele aprendi a sorrir todas as manhãs. E prontamente responder a qualquer “bom dia como você vai” com um “estou ótima”. Me soa estranho dar passos não planejados e apenas seguir o instinto. Me soa estranho que esteja tudo tão bem que penso estar tudo mal a ponto de eu não ter notado. Talvez eu tenha achado esse bocado de admiração que perdi em alguma esquina. Não generalizo nem discrimino o sentimento, pois parceria não tem fronteiras. Tem que vir sempre pra somar. E eu tenho aprendido muita coisa que eu já devia ter nascido sabendo, ou que tomaram de mim nesse percurso trágico, onde muitos se fazem especiais, mas a única função que exercem é te sugar e danificar sua estrutura. Ele me conserta com um abraço e um sorriso. Desde a primeira vez que  vi.

O saber que transcende os livros e os ensinamentos

Nunca é tarde para aprender e nunca é cedo para ensinar. As respostas para as perguntas mais relevantes sobre a vida, talvez estejam  nas horas que perdemos olhando para as estrelas que a a nossa miopia teima em desfocar ou nas discussões sem fundamento que temos sobre a minha suposta inteligência e sua suposta falta da mesma. Ele  não imagina, mas é ele quem sabe tudo.

Nossas sombras  no asfalto como de irmãos siamêses"

"Eu poderia dançar com um homem que me puxe pela mão. E perceba minha mente projetando coisas formidaveis que ainda estao por vir. Que goste de sentir (é!) que realmente sinta. O que é ter nos braços uma orgulhosa e incasavel lutadora, que espera impaciente a hora que ele possa ser... Homem... Simplismente."

Me indispondo às dificuldades


Então ele perguntou se eu sabia o que tava fazendo. Falei que sabia. Eu sei. E eu nunca me diverti tanto. “Por que eu?” “Porque, menino, você não sabe nada da vida. E eu to cansada de saber das coisas e das pessoas que fingem saber demais. To cansada de planos. Você é lindo e fala tudo que quer e sente”. Claro que ele não entendeu. Ele não entende nada. Mas me entende bem. Mas quem falou que eu preciso de alguém esperto que saiba das coisas todas da vida? Eu só preciso sorrir com coisas simples. Sorrir com pessoas de arquiteturas simples, vida rasa, flexíveis e sem objetivo nenhum. Essas que trazem leveza e desprendimento dos padrões. E as críticas? “Críticas não me abalam(...)” Ele na sabia o resto da frase e disse: “você é linda, serve?” Então eu ri. Pra que saber de tudo e seguir padrões? Bom mesmo é ser alienado.

Para que não me falhe a memória

Para que não me falhe a memória, é preciso frieza. É preciso este texto. E que as palavras não se equivoquem ou que o eu perca a transparência do léxico no lirismo. É preciso que o caminho seguinte seja traçado sem que coloque-se uma pedra no passado. Não se trata de eliminar o passado da memória (o que nos predispõe a repetir os mesmos erros, pois assim esquecemos de sua gravidade), se trata de encarar como uma falha que como único benefício, tira-se o crescimento pessoal. Aprendi que não adianta tentar eliminar o passado. É preciso encara-los a olho nu. Diariamente, para que se possa recordar e notar que podemos sim, evitar desgastes que resultam em sua gra de parte em perda de energia. Isso se chama insistir no equívoco. O resultado todos sabemos, mas a memória nos falha. Eu seria capaz de criar um mapa com as zonas de risco, apontando as fases críticas, os alicerces, os argumentos que utilizam, a forma despretensiosa com que se aproximam, mas acredito que minha lembrança é o bastante. O repúdio e o desprezo passam. Por isso, para que não me falhe a memória, é preciso este texto com todas palavras que submetem automaticamente à minha lembrança todo este percurso, todo meu desprezo. Não caberá "Até um dia". Esse dia não virá, por razões que hoje, ultrapassam qualquer entendimento além do meu. "Até um dia"? Até jamais. Nem por aqui haverá de se encontrar. Em  nenhuma linha além da que termino de escrever, ágil e ansiosa para estrear a vida vida em branco que me aguarda. Talvez eu agradeça por ter contribuído inconscientemente no meu crescimento. Mas é provável que o mérito seja da minha imaginação, afinal, qualquer cego notaria o quanto eu sou melhor distante dos equívocos.

Ensaio sobre a massinha de modelar


Então um belo dia acordou e deparou-se com um presente tão simplório ao lado da cabeceira da cama: uma massinha de modelar. Que diabos faria com uma massinha de modelar? Mas também não haveria de jogá-la fora, sabe-se lá o valor que possa vir a ter, ou que em algum momento se tornasse utensílio de extrema necessidade. Então deixava a massinha lá. Por vezes apertava-a. Demorou muito até que de fato, viesse a modelar algo em sua estrutura de infinitas possibilidades. Às vezes a massinha secava de tanto tempo que ele a deixava largada sob a cabeceira. A mãe ainda dizia: “Joga essa porcaria fora, não tem serventia” Mas era uma massinha de modelar e ele já havia se acostumado a tê-la em sua cabeceira. Quando ia estudar, espremia entre suas mãos e criava formas abstratas e a deixava esquecida por semanas, mas sempre retornava e aperfeiçoava sua forma. Chegara a comprar moldes pra que sua massinha obtivesse as formas que ele queria. Mas ainda era só uma massinha  e existiam coisas mais importantes. Sem notar ele se dedicava à massinha periodicamente até o dia em que fez com que ela obtivesse tal forma de invejar qualquer brinquedo pré-moldado, firme e provido de movimentos, menos frágeis e mais constantes em seus dia a dia. Era uma forma incrível, mas ele não tinha muito o que fazer com aquilo, então deixou que permanecesse na cabeceira da cama por meses. Um belo dia notou sua aparência mais firme e um pouco ressecada, ele queria mudar aquela forma, ou que ela voltasse a não ter forma alguma e ele pudesse explorar sua milhares de forma aplicáveis. Foi quando notou impossível contorno à situação. Havia perdido a massinha. Possui-a apenas em sua forma, agora dura e rígida, como dos brinquedos que acostumava carregar consigo. Ainda assim, a massinha, agora quase uma pedra, despertou seu total desinteresse.  Talvez pq ele tenha deixado-a secar demasiadamente, talvez porque nunca quisesse uma massinha ou porque não sabia apreciar sua estrutura flexível e de fácil compreensão. Já adulto, enquanto se questionava das dificuldades que enfrentava com as formas pré-moldadas do ser humano e sua indisposição à qualquer mudança, lembrou-se da massinha e pensou : porque as pessoas não se comportam como tal? Será que deixei passar alguma “massinha”, pleno aos olhos nus e disperso do valor que ela poderia ter? Irrevogável questionamento. Se passou, houve tempo o bastante pra que secasse e trincasse. Pessoas podem ser moldadas e iludidas. Mas tudo tem seu tempo até que trinque e perca  todo o sentido. Pessoas também trincam e ressecam. Ainda pior, pois possuem sangue correndo nas veias e em alguns casos, coração.

Encerrando o ciclo.

Digamos que eu esteja feliz: minhas teorias se comprovaram. Um pouco tarde, por isso cultivo um resquício de dó de mim mesma, um pouco de vergonha. Dó pela falta de perspicácia. Pela falta de tino e por criar castelos de areia e ancorar navios no espaço. A única responsável pelos baques que eu levo da vida sou eu mesma. Mas já era hora, antes tarde do que nunca. Dez anos não são 2 meses de ilusão. Mas ao menos não haverá um ano sequer a mais. Eu me sinto tão bem que questiono a veracidade do bem estar. A verdade é que eu precisava desse empurrão pra respirar uma vida em branco que eu venho desejando a muito tempo. As coisas surgem assim, de forma tão despretensiosa, nunca me dediquei a descobrir as verdades e a vida vem e joga tudo de uma vez em meu colo. Não sei exatamente a quem agradecer. Talvez à própria vida, que tenha se fatigado da minha história e deu um empurrãozinho. Se ele vai sumir ou vai estar ainda presente, já não importa. A distância que haveria de ser fatal já foi criada. Pode ser apatia envolta do desespero, que seja. O importante é que a ficha caia, as verdades estejam expostas pra minha compreensão. Dos males o menor, aquilo que julgava como paranóia não passava de sexto sentido. Doente ao menos eu não sou. O que haveria de ser pior? A falta de caráter ou a falta de consideração com os sentimentos alheios? Incrível, mas a falta de caráter eu sempre admirei nas pessoas. Mas a falta de consideração é um peso bruto difícil de digerir. A maior prova do quanto se pode ser descartável e  posto em escanteio.  Lembro da última pessoa que fez isso comigo: “Desculpa, eu sei que falei que isso não se repetiria, mas eu sou fraco e burro”. O maior exemplo de cordialidade no quesito “desapontamento”. É aí que eu revejo meus conceitos de pessoas incríveis e discernimento de caráter. Repenso no julgamento a que se diz respeito às pessoas egoístas. Eu por exemplo, deveria ser mais egoísta às vezes. 

Despedida ao velho ciclo e boas vindas a vida em branco. É como ter uma folha novinha pra poder escrever o que eu bem entender. E escrever certo. Sobre as coisas certas. 

Aplicando teorias

Podia estar enfiando as dores debaixo de tapetes sujos para recolhe-las em momentos mais inoportunos ainda. O "Eterno Retorno" e eu. As fugas e a realidade. Então resolvi fazer algo por mim. Conviver com a solidão e o vazio, não ocupar meus espaços com atos nulos. Não que eu me sinta bem assim. É uma experiência em busca do desvio da rota do "Eterno Retorno". E se eu mudar minhas estratégias, resultados piores não terei. "Estratégia" isso soa um bocado artificial. Talvez não seja o termo, talvez não esteja me desviando de nada. Provável amadurecimento frente às fugas. Mas resolvi me encarar frente a frente e ver o que tem de tão mal assim em conviver comigo mesma e minhas verdades. Sabe no que eu quero acreditar? Que cada segundo que eu me perceba distante dos meus objetivos, são segundos de aprimoramento para que meus objetivos tenham êxito e não se tornem uma grande furada. Eu não quero acreditar, na verdade, não só acredito como tenho certeza. Mas meu sangue é quente e corre forte na veia pra querer tudo pra ontem, pra querer tudo agora do meu jeito e no meu tempo. E não é segredo pra ninguém que eu não tenha tino pra lidar com nada. Alguém tem que lidar por mim. Salvo assuntos de demanda profissionais, nasci pra ser conduzida. Eu não quero seguir um fluxo. Quero um fluxo que me carregue. Mas isso não anula minha pressa. Minha pressa é o medo de que o tempo e a realidade faça meu sonho se esvair. Essa é a lógica. Que se perca o foco e se distraia com qualquer engano. Não falo por mim, pois já me distraí o bastante. O suficiente pra desistir de buscar ou me deixar levar por tentativas e falsas promessas de plenitude. Mas Infelizmente me deparei com um contratempo. Pensei que minhas vontades dependessem das minhas certezas, das minhas escolhas e da minha convicção. Mas infelizmente, notei que não. E ainda que sim, fora apenas um engano. Percebe como estou crua e ainda indisponível a enfrentar tudo que implica realizar minhas vontades? Acontece que para o que me falta, temo precisar de caminhar não tão sozinha. Mas não posso rastejar por ajuda ou apoio. As pessoas são diferentes: adoro me expor e deixar claro o que percorre meu mundo para que as pessoas saibam lidar e jamais se afastem por talvez não compreender minhas falhas. Por outro lado, temos as pessoas que não se manifestam. Não te dizem a hora de abrir mão de determinado jogo, não te dizem a hora de caminhar sozinho, não abrem o coração. E pessoas como eu, perdem o rumo ao ter que se equilibrar em cordas bambas em situações de risco ou tentativas incertas. Sou marcada pela desistência. Não é muito difícil para mim abrir mão dos meus maiores desejos quando noto que precisarei me esforçar. Gosto do facinho. Sempre escolhi o facinho. Mas agora escolhi caminhar na corda bamba, na tentativa incerta, no risco e naquilo que não me é declarado e facinho. É a primeira vez que encaro uma verdade sozinha e sem fuga. Mas foi eu quem escolhi, ninguém mandou que eu ficasse aqui de frente com um mar de possibilidades que apontam ao fracasso. Minhas razões para encarar o risco sem fuga são claras: fiz uma escolha certeira. Enquanto houver o que provar para que eu também seja a escolha certeira, eu irei me modificar. Nem que isso implique em me virar do avesso. Ou ficar a sós comigo e minhas verdades. Ou simplesmente ficar a sós e seguir o conselho do homem mais incrível que eu já conheci: largar tudo pra lá. Posso largar tudo, menos menos ele.

Sur ma langue ne serait pas la poésie

LE MEC


Avec qui j'ai envie de baiser toute la nuit
De toute façon
Mais qui me fait mal, s'il vous plaît
“Donnez-moi un câlin en temps de crise”
Mais il ne me donne pas
Est un peu rugueux et a une légère odeur de cigarettes dans sa barbe
Barbe que je haine, mais qui me passionne
Très
Alors ça m'étouffe


LE MEC


Je suis folle de ce mec
Mais j'ai toujours choisir me
Toujours m'isoler
Toujours je l'isoler
Et il me accepte en arrière quand je reviens à la conscience
La prise de conscience que c'est le gars
Avec qui j'ai envie de baiser toute la nuit
Et  donnez-moi un câlin quand je réveillez

Pedindo ajuda ao vago

Então foi isso. Eu ando meio impossível. Eu sei. Eu sou tão “facinha” com quem eu amo, mas as vezes eu sou difícil, ninguém é obrigado a tolerar, mas também não precisa destratar. Eu vou piorando e piorando e me tornando a cada dia mais impossível e amargurada, carregando um rancor que já não cabe em mim. É uma bola de neve, principalmente quando me pisam de modo recorrente. Eu estou caindo e levantando, quando quase levanto alguém põe o pé para que eu caia de novo. Eu tenho uma década de mágoa. Você acha isso legal? Saudável? O tempo inteiro eu tenho alguma verdade engasgada que eu quero falar. Eu tenho chorado ao menos três vezes por dia. Não adianta me dizerem o quanto eu sou infantil, não enquanto eu carrego essa tonelada de mágoas. É a última vez que divago sobre essa dor. Não sei em qual rio vou atirar esse peso, não sei onde vou depositar todas as energias que eu gastava anteriormente com essa dor. Olha, não me entenda mal. Você ainda é um homem incrível e o único que eu realmente queria ter ao meu lado. E esse e o problema. É o excesso. O meu excesso vai te afastar e vai me fazer perder o senso. O problema sou eu. Sou eu que nunca vou saber lidar com absolutamente nada sem que me desestruture; o problema sou eu que escolhi alguém tão inacessível à mim. O problema sou eu. A solução era pra ser você. Mas você é problema e a solução. A solução que, daqui pra frente, não vai mais poder me ajudar, porque preciso de mais. Algo que não pode me dar, mas que me tira um pouco todo dia: a segurança. Eu sempre tive medo disso, da hora que você se tornasse semelhantes aos outros, mas a culpa não é sua. Sou eu que desperto isso em qualquer ser humano. Eu sou impossível. Mas tudo se resolveria se as pessoas soubessem me acalmar, mas estão sempre me deixando mais seguras das certezas que eu crio contra elas mesmas. Sempre confirmando minhas teorias negativistas. Porque o que eu queria ouvir as vezes era a verdade, mas anda tão difícil encontrar ela que eu vivo criando no meu inconsciente as minhas verdades. A minha verdade agora é que eu preciso me afastar pra te fazer um favor de algo que talvez você não esteja confortável para realizar. Eu vejo que você não me quer, eu poderia e deveria virar as costas e sair andando, mas fico esperando que seja dito. Não quero viver das minhas certezas. Se eu sobrecarrego é porque me falta algo. É a frieza que me assola. Eu só queria ter certeza de qualquer coisa pra poder parar de recriar minhas verdades a cada 10 minutos.

Lost grace

Sabes como foi a perdendo? Sabes se realmente a queria? Se queria, perdeu pela falta. Falta de tudo e excesso de dor sem um afago na alma com muito pouco “escuta aqui, vem cá, menina, não fica assim”. Muita declaração no vácuo que virou poeira. Muita disposição e pouca ternura. Muita entrega e desprendimento pra despertar nenhum sorriso. E se tinha sorriso, tinha pranto depois. Ta valendo? “Lost grace”, ela falou. Óbvio que não forçaria o esquecimento, ela nunca quis o esquecer, mesmo com todas as razões. Ele provavelmente andou confundindo sentimentos e se ferrou enquanto pensava: coitada e agora? Agora se vira. Se vira e foge. Compra um cachorro. Eles são bem carentes e também exigem atenção, demonstram o quanto amam o dono, mas latem... ao menos não falam. Ela vai falar e vai escrever o suficiente pra te fazer perder o sono, mas você ainda quer um pouco, certo? É tão confortável te-la ali. Sabes quando a perdeu, se realmente já ousou quere-la? Quando a ignorou; provavelmente sempre. Ela rabiscou no caderninho, que não poderia mais ser ele, pois ele havia deixado um buraco imenso em seu peito, dois traumas e a sensação de solidão crônica, além de começar a se achar tão pouco interessante, vai ver era essa razão. Um pouquinho de amor-próprio não faz mal a ninguém. Lost grace. Não se forçou a nada, mas pensou que se ele quisesse ir, podia ir, já que não fazia nada pra que ela sorrisse, que evitasse mais dor.

Infográfico de um coração

Olha, eu posso parecer louca, eu sei. Mas é que eu sou muito intensa e eu não acho isso bonito. Eu queria ser morna igual vocês. Bonita é minha profundidade, isso é, eu sei que é. Mas não sei bem o que é profundidade enquanto termo metafórico, mas dizem que eu tenho isso e que é bonito e as vezes eu também acho bonito o jeito que eu sinto as coisas. Dizem que eu tenho um "negócio diferente". Eu não sei se esse negócio que vocês falam é bom e se vai me fazer feliz. Eu não tenho muito meio termo, nunca estou mais ou menos, nunca quero um pouquinho, nunca amo por tabela ou acho que quero algo. Comigo, ou eu tô muito bem ou eu tô na merda, sempre quero demais, amo porque escolhi amar e quando eu quero é porque tenho certeza. É isso que encanta? Sentir demais é tão fascinante assim? Deve ser bem bonito imaginar como vive-se alguém assim, por isso vocês "acham que acham" isso tão belo. Ou sonham em encontrar alguém assim pra partilhar o resto da vida: até cruzar com alguém assim. Vocês sim, se apaixonam por tabela. Preciso de uma certa dose de manutenção diária. Preciso de acreditar todos os dias que está tudo bem e me controlar ao enxergar o lado fosco da vida sem compor meu cenário com aqueles tons sem brilho que vira e mexe habitam minha mente. Dizem que tem quem goste. Eu acho que qualquer pessoa há de cansar. Mas eu não me acomodei. Eu descobri que nunca vou ser morna, mas eu posso deixar de pegar fogo. Isso já é o bastante. E tem esse cara que não é morno mas me parece tão seguro e eu penso no quanto quero ser como ele, ou no quanto eu quero aprender com ele. Ele é a única pessoa que pode me ajudar. E ajuda a muito tempo. Ele é meio pai, mas salvo incesto ou complexo de édipo, eu quero ele como homem. Eu não sei o que ele acha de mim, mas ele sabe tudo que eu acho dele. Isso é equlíbrio? Eu acho que sim, se fossemos tão idênticos assim, nenhum ia saber da importância do outro. Ou saberiam tanto e sentiriam tanto que já teriam se machucado de maneira irreversível. As vezes eu queria saber se ele sente ao menos um tercinho do que eu sinto. Só as vezes, porque agora por exemplo, eu sou feliz assim: sinto tanto que basta por dois. O suficiente. E as vezes, o bastante pra me de deixar em pânico, porque chega uma hora que não cabe tudo aqui e eu não tenho onde enfiar tudo isso. Eu já coloquei debaixo do tapete, quando voltei tinha criado um monstro. Porque eu vacilo pra ver se consigo colocar um fim mas volto mais forte. Então o que mais já ouvi até os dias de hoje, entre anônimos, amigos e afins: queria uma mulher assim igual a você na minha vida. Sempre digo que "acham que querem, pois quando encontrarem uma, vão querer botar fogo e pisar em cima. Amarrar uma mordaça na boca. Sacudir e mandar crescer ou em cass extremos, arrancar a pele toda da infeliz com um estilete. Um destes que acham de mais, um dia contou: sempre procurei uma garota igual você, então conheci essa louca e vim te perguntar como eu faço pra me livrar dela agora? A minha sorte é que eu nasci pra descobrir, aprender e me aperfeiçoar com meus erros, a cada solução que encontro para meus problemas, cada razão para os meus defeitos, fico feliz em saber que conhecendo a causa poderei evita-los enfim. Eu só preciso que as pessoas tenham um poqunho de paciência. Posso provar pra vocês com um infográfico o quanto evolui em, por exemplo, 5 anos. E que meu desempenho gira em torno de 0,5% ao dia. Poderia, mas eu não sei lidar com cálculos e gráficos ou taxas. Meu lance é o coração.

Retrocesso.

Então se eu me cansar novamente, não será dele. Nem da espera ou da incerteza. Será de mim. Talvez tenha chegado nessa fase crítica e não tenha forças ao menos para reagir. Mal ou bem. Olho ao redor e a verdade me parece cada dia mais intragável. Minhas respostas às mazelas da vida são irracionais e me isolam mais. Não era esse o plano. Eu pensei que o tempo fosse aproximar a gente. Não é ser imediatista ou egoísta quando se trata de tantos anos de um único objetivo. Eu não tenho culpa se sou tão convicta do que quero, mas meus atos mostram incerteza: é ele que me isola. Se eu pudesse ter contado mais um pouco com ele e te-lo aqui pra ouvir o quanto meu dia foi improdutivo, ou como tem me imcomodado passar os dias e as noites em uma casa vazia divagando sobre a sensação de estar perdendo-o de mim um pouco a cada dia mais, assim, não teria atos tão incertos. Mas olha quem fala sobre atos incertos: aquele que mais se afasta e se isola. Ele. Queria ser uma espécie de Deus e colocar tudo no seu devido lugar, porque pra ser sincera, eu preciso dele pra ontem.

Também sou razão.

Esgotei minhas energias, mas não me esgotei de você. Simples, o que falta? Que eu me vire do avesso? Talvez já tenha me virado. Minha vida pausou quando quis ser terreno seguro pensando que isso pudesse afetar, mas talvez você nem notou. E eu não posso continuar aqui esperando outra tragédia acontecer. Eu não sei porque, mas eu sei que vai. Eu não quero estar disponível pra descobrir que o problema sempre foi eu. Eu me forço a ver qualquer qualidade que me desperte interesse no resto do mundo pra poder perder o foco. Porque o teu foco me suga e me torna fiel a quem nunca me pediu nada. Eu tenho essa bela doença que eu carinhosamente chamo de: você. A melhor doença que eu poderia ter e não pretendo me desfazer. Eu sei que você nunca pediu nada, mas eu queria provar que era capaz, porém, obviamente você não viu.

Esgotaram-se minhas fichas, mas não desisti de você. Eu sei que você tem fichas pra apostar em mim quando quiser e sabe que eu me viraria do avesso e me desviraria logo em seguida, o que fosse preciso. Qualquer hora que quiser pode apostar que você não vai perde-las. Mas as minhas se esgotaram.
 

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